sábado, 3 de setembro de 2011

O velho e bom senso.



Realmente, nada se pode esperar do futuro. Assim penso eu né? Tem que vive esperando a chuva passar, o trem passar, o cavalo passar( e arriado de preferência!)... Já esperei muito, por muita coisa, agora, confesso que a única coisa que espero é seguir a máxima do grande Zeca Pagodinho, que a vida me leve.
Tudo isso que foi escrito no vídeo é bem verdade e só consigo lembrar de uma palavra quando acabei de vê-lo: bom senso. Se em tudo que nos propusermos a fazer não for deixado de lado uma pitadinha de bom senso, tudo fica mais leve e fácil de se levar.
Afinal de contas bom senso nada mais é do que ter equilíbrio nas decisões ou nos julgamentos em cada situação que se apresente. Pra perdoar tem que ter bom senso, pra amar tem que ter bom senso, pra educar um filho tem que ter bom senso, pra conviver com os outros tem que ter bom senso, no trabalho tem que ter bom senso, pra ser feliz tem que ter bom senso e ate pra se magoar também não se pode deixar de lado o velho e bom senso.
Se cada um fizesse a sua parte, não teríamos que perdoar tanto, não nos estressaríamos sem medida, não desperdiçaríamos tempo precioso...Enfim, viveríamos pra se doar mais, pra se conhecer mais, pra amar mais.

Bjo no coração!

Humor do dia


Quem gostou levanta a mão aêêêê....o//  (morro de rir da criatividade alheia).

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Múltipla escolha.


Na minha ultima viagem, adquiri esse livro por acaso em Congonhas enquanto aguardava meu voo( o que mais se faz em aeroportos além de comer e olhar livros e revistas?) e venho aqui dizer que AMEI e recomendo. Já tinha lido uma crítica em algum lugar,que não recordo agora, sobre ele e fiquei interessada. Sem contar que adoro os textos da Lya Luft e isso também foi decisivo na hora da compra.
Ele não fala nada que nós já não saibamos sobre o cotidiano e comportamento humano. Um enredo sobre cotidianos dentro da trivialidade e sobre seres humanos falhos,indecisos, angustiados.O legal foi perceber com a leitura que as nossas falhas, os nossos problemas, os nossos anseios são normais. Detectei que não há nada de errado em cometer erros, em dizer te amo pra pessoa errada, em fazer uma mala de viagem mal feita, em planejar o "implanejável", em tomar banho de chuva,em brigar com alguém da família, em achar que gatos são menos companheiros que os cães e tantas outras coisas que por muitas vezes atormentam nosso ser e tange o limite da racionalidade.
A linguagem do livro é ótima. A sensação que tinha era que a autora estava ali, sentada ao meu lado, conversando comigo. E assim foram esses meus últimos dias...Pura leitura e reflexão.
Tem uma parte, dentre várias, que me chamou muito atenção e vou transcrevê-la só pra vocês sentirem o gostinho:
"...Indagações variadas nos perturbam, e temos poucas respostas. A família está acabando? Com tanta tecnologia, ainda haverá trabalho humano num futuro não tão distante? Estudar pra que, se não temos emprego? Casar pra que, se logo a gente se separa? Impor limites aos filhos , se assim vão se afastar de nós? Tentar algum rigor com alunos ,se depois os pais podem nos processar? Ser duros com criminosos, se logo os direitos humanos vão nos acusar? Ainda valerá a pena ter filhos neste caos? Em quem acreditar se tantos de nossos líderes parecem corruptos, e alguns dos melhores são perseguidos? Se a política já não inspira confiança, o que vai ser do povo, do país, de nós? Vale a pena a democracia? Ela funciona? Existe alternativa que não seja um regime de ferro que não queremos? Ainda existe moral? Posso querer moralidade sem ser moralista, sem parecer ridícula? Religião ainda faz sentido nesta civilização iconoclasta e que se diz avançada? (...)Com tantas incertezas, proliferam receitas e teorias infundadas.(...) Teorias demais paralisam o intestino natural. Quem ainda quer ser natural? Nessa falta de parâmetros, a tentação de experimentar pode se tornar uma ideia fixa. Tudo parece estar disponível: riqueza, beleza, juventude eterna,viagens, prazeres, promiscuidade( o que é que tem?), mil modos de abafar dúvidas e angústias. "

Vou parar por aqui senão acabo fazendo uma cópia e cópias de livros me fazem lembrar castigos de escola...rs!
Nesses dias que, entre o trabalho e a rotina da casa, eu me dediquei a leitura pude perceber que não senti tanta falta da internet. Pra falar bem a verdade passei bem, obrigada! Recebia mensagens perguntando: Por que você sumiu? Não te vejo mais no Facebook. Respondia: Estava ali, mergulhada no prazer e volto quando me saciar. Então quero salientar que se eu desaparecer virtualmente é porque as minhas opções de livros comprados ainda não acabaram. Aliás, vou ali começar um outro livro e volto pra contar a vocês como foi minha próxima viagem.

Bjo no coração!

domingo, 28 de agosto de 2011

Me preocupando com o futuro.

Sabe quando algo fica martelando na sua cabeça, tentando achar um resposta e o que,no final, acaba acontecendo é a gente ter mais perguntas ainda? Então, é assim que estou me sentindo desde que voltei de Belo Horizonte, onde passei essa semana em missão profissional. Os jornais da capital não falavam em outra coisa senão a agressão de um estudante a uma diretora de uma escola pública. Cena deprimente que esta rolando pela net e pelos noticiários. 
Nessas horas em que busco obter uma explicação do porquê disso que esta acontecendo tão corriqueiramente nas escolas é que me recordo dos meus tempos de estudante. Nada tão longínquo assim e que é de fácil lembrança. Faço aqui uma pergunta que pode resumir um pouco: há 20 anos atrás alguém se lembra de ter visto em manchetes qualquer fato de desrespeito de aluno com professores? Não né? Não lembramos por que não tinha e se tinha era uma vergonha pra família que muito provavelmente implorava pela não divulgação. 
Respeito era a minha palavra quando me referia aos meus professores. Eu poderia não gostar da matéria, poderia não gostar da didática, mas eu respeitava. Ali dentro da sala de aula quem tinha a autoridade era o mestre, na escola era a diretora, no portão era o porteiro, na cozinha era a merendeira e em casa eram os pais. Não confundam autoridade com autoritarismo, pois não é disso que estou falando. Falo da arte de ter responsabilidade. Essa facilidade de se confundir autoridade com autoritarismo vem desde que pedagogos e psicólogos começaram a pregar que "é proibido proibir". Considero isso blá,blá,blá... Meus pais me criaram com autoridade, com limites( alguns eu por muitas vezes quis "deslimitar" ) e mesmo com a falta de tempo eram presentes. Nada fora do comum naqueles tempos.Minha referencia de autoridade começou quando eu tinha que acordar, arrumar a cama e estar pronta pra ir a escola no horário, a ficar em silencio nas aulas ( mesmo quando as vezes tinha uma vontade enorme dentro de mim pra saltar uma gargalhada de alguma gracinha de um colega), a de fazer minhas tarefas e estudar todos os dias mesmo não tendo prova no outro, a de só ter notas azuis no boletim, a de passar o dia sem meus pais e tentar não brigar com meu irmão( era o mais dificil de todos, juro!). Já hoje isso parece ter a figura da caretice. 
Não seria por excesso de possibilidades dadas as crianças e adolescentes o motivo desse novo cenário? Não seria por falta de autoridade dos pais omissos, dos professores pouco renumerados e por isso pouco motivados a atender quem não é do seu sangue? Não seria da falta de "nãos" num mundo tão permissivo?Não seria pela falta de valores semeados desde o berço? 
Como disse, ao invés de ter respostas, minhas perguntas só aumentam e com elas aumenta minha preocupação com o futuro.


Bjo no coração!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Família é prato difícil de preparar" (de "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo)


Recebi esse email de uma amiga chamada Deuma. Só tive um encontro ao vivo e em cores com ela e trocamos pouquíssimas palavras no dia. O fato é que a rede social fez com que nosso contato fosse mais constante e hoje a tenho como uma mulher incrível ,sábia , madura e experiente, logo eu só tenho a lucrar me relacionando com uma pessoa assim, pois com certeza vai me enriquecer. Um beijo especial hoje pra você Deuma.



"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem,
devoção e paciência.
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de
desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e
aquele fastio.
Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos
entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.


E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer
companhia.
Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais
sentimental? A mais prestativa?
O que nunca quis nada com o trabalho?
Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa. Eu espero.
Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca
mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm
da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família
muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.
Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado,
muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora
que se decide meter a colher.
Saber meter a colher é verdadeira arte.

       Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só
porque meteu a colher na hora errada.
       O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família
perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe "Família à Oswaldo Aranha",
"Família à Rossini", Família à "Belle Meunière"  ou "Família ao Molho Pardo"
em que o sangue é fundamental para o  preparo da iguaria.
       Família é afinidade, é "à Moda da Casa".
       E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
       Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
       Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de
"Família Diet",  que você suporta só para manter a linha.
       Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente,
quentíssimo.
       Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
       Enfim, receita de família não se copia, se inventa.

       A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que
sabe no dia- a -dia.
       A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro
aqui, que ficou no pedaço de papel.
       Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um
velho já meio caduco como eu.
       O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça,
por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e
comer.
       Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.
       Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no
alumínio ou no barro.
       Aproveite ao máximo.
       Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."